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PIB per capita recua e Alpinópolis aparece entre os indicadores mais baixos da região
Cotidiano

PIB per capita recua e Alpinópolis aparece entre os indicadores mais baixos da região

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última sexta-feira, 19 de dezembro, os dados do Produto Interno Bruto dos municípios de todo o país referentes a 2023, último ano analisado. Entre os indicadores apresentados está o PIB per capita, que representa a média da produção econômica por habitante e é amplamente utilizado para avaliar e comparar o nível de atividade econômica entre municípios e regiões, embora não reflita a distribuição de renda da população. De acordo com o levantamento, o PIB per capita de Alpinópolis em 2023 foi de R$ 33.804,26. O valor ficou abaixo do registrado em 2022, quando o indicador era de R$ 34.206,04, confirmando queda aproximada de 1,2% no desempenho econômico médio do município de um ano para o outro. No ranking nacional, Alpinópolis ocupou a 2.474ª colocação entre os municípios brasileiros. No recorte regional, o desempenho de Alpinópolis também aparece de forma desfavorável, ficando apenas com a 20ª posição entre os 27 municípios que compõem o Sudoeste de Minas, região que, de forma geral, apresentou resultados considerados medianos ou baixos quando comparados a outras partes do estado. O contraste regional não se restringe aos municípios que lideram o ranking. Embora São José da Barra, com R$ 116.931,19 por habitante, apresente o melhor desempenho do Sudoeste de Minas — ao lado de Doresópolis e Ibiraci, que completam o trio com os maiores PIBs per capita da região —, a defasagem de Alpinópolis também se torna evidente quando comparada a municípios circunvizinhos, inclusive aqueles de porte semelhante ou até inferior. Claraval, por exemplo, registrou PIB per capita de R$ 56.343,73, quase 67% maior do valor alpinopolense. Já Bom Jesus da Penha com R$ 45.385,21; Capitólio com R$ 42.758,08; Carmo do Rio Claro com R$ 40.263,75; São João Batista do Glória com R$ 38.528,40; e Guapé, com R$ 36.292,61, também superaram Alpinópolis, o que reforça a percepção de perda relativa de competitividade econômica local entre as cidades circunvizinhas. Na região, abaixo de Alpinópolis, ficaram apenas os municípios de Itamogi, Cássia, Monte Santo de Minas, Nova Resende, Pratápolis, Fortaleza de Minas e Jacuí.

Claudio Krauss

22 de Dezembro de 2025

Alpinópolis celebra conquista de moradora formada pelo IFSULDEMINAS aos 72 anos
Variedades

Alpinópolis celebra conquista de moradora formada pelo IFSULDEMINAS aos 72 anos

Aos 72 anos, a alpinopolense Maria Custódia das Dores Reis entrou para a história recente do município ao concluir o Bacharelado em Administração no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas – IFSULDEMINAS, Campus de Passos. Residindo em Alpinópolis durante todo o processo de graduação, ela percorreu diariamente o trajeto até a cidade vizinha ao longo de quatro anos, sem faltar a nenhuma aula, e transformou a própria formatura em motivo de orgulho para a comunidade local e em símbolo do poder transformador da educação. A conquista teve forte repercussão tanto em Passos quanto em Alpinópolis, já que a trajetória de dona Maria representa a realidade de muitos moradores do município que precisam se deslocar para estudar e trabalhar. Sua presença na colação de grau foi destacada pela comunidade acadêmica como exemplo de persistência e inclusão, reforçando que o acesso ao ensino superior pode ocorrer em qualquer fase da vida, independentemente da idade ou da origem. Cursar uma faculdade era um sonho, que nasceu ainda quando ela conciliava a criação dos filhos com o desejo de estudar. Anos depois, decidiu retomar a vida escolar no próprio município, por meio do ensino supletivo, no CESEC Doutor Hélio Ferreira Lopes, concluindo o ensino médio antes de prestar vestibular e ingressar no instituto federal em Passos. A decisão foi amplamente apoiada pela família, que sempre reconheceu nela o apreço pelos estudos e o papel de incentivo à educação dentro de casa. A filha, Raíssa Marciense, e a irmã, Ana Maria de Souza, ressaltaram que, apesar da rotina cansativa e das viagens diárias, a determinação jamais a esmoreceu, tornando-se motivo de orgulho para todos. No convívio acadêmico, a estudante de alpinopolense acabou se tornando referência para colegas mais jovens. A assiduidade, a disciplina e a disposição constante para aprender motivaram outros alunos a permanecerem no curso, especialmente ao perceber o esforço diário de quem saía de Alpinópolis e ia para Passos, todos os dias, para estudar. Professores e estudantes relataram que sua trajetória ultrapassou os limites da sala de aula e se converteu em aprendizado coletivo. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sintetizou essa caminhada ao ter como tema a própria história de vida da formanda. No trabalho, ela revisitou a infância na zona rural de Alpinópolis, a mudança para a cidade, a formação da família e as perdas enfrentadas ao longo da vida, evidenciando como o vínculo com o município e o desejo de estudar permaneceram vivos. A banca aprovou o TCC e destacou a riqueza humana e social do relato apresentado. Para a comunidade acadêmica, a formatura de dona Maria simbolizou a missão da educação pública e inclusiva. Para Alpinópolis, ficou o exemplo concreto de que o município também produz histórias de superação e valorização do conhecimento. A trajetória da alpinopolense reforça que aprender é um processo contínuo e que a educação segue sendo um caminho possível de transformação, inspiração e esperança, mesmo quando o ponto de partida é uma pequena cidade do interior.

Claudio Krauss

15 de Dezembro de 2025

Dados mostram que golpes contra idosos seguem como desafio permanente em Alpinópolis
Cotidiano

Dados mostram que golpes contra idosos seguem como desafio permanente em Alpinópolis

Alpinópolis registrou 18 casos de estelionato consumado contra pessoas com 60 anos ou mais no período de janeiro a outubro de 2025, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Embora esse total seja inferior às 22 ocorrências registradas no mesmo intervalo de 2024, ainda sim representa um aumento de 13 casos em relação a 2020, que marca o início da série histórica, quando o município teve apenas 5 registros. Segundo as estatísticas da Sejusp, no recorte janeiro/outubro, houve uma oscilação dos últimos anos: em 2020 foram 5 casos; em 2021 somente 3 ocorrências; em 2022 o número saltou para 14 casos; em 2023 aconteceu um recuo e os registros caíram para 10. Já em 2024 a séria história chegou a seu pico, com um total de 22 casos e o atual ano, mostrou uma diminuição de 18,2%, caindo para 18 ocorrências. O padrão deixa claro que, apesar do recuo em 2025 frente a 2024, o volume atual ainda está bem acima dos anos iniciais da série, indicando que o problema permanece relevante para a cidade. Para efeito de comparação regional, o município de Passos, com total de moradores quase cinco veze maior que Alpinópolis, apresenta um número muito superior de ocorrências, com 250 no mesmo intervalo. Outras cidades vizinhas, com populações mais próximas à do município, como Carmo do Rio Claro e Itaú de Minas, registraram 27 e 25 casos, respectivamente, o que ajuda a dimensionar a gravidade do fenômeno na região. Especialistas apontam que esse tipo de crime tem se sofisticado, com golpistas se passando por funcionários de bancos, por órgãos públicos ou por suporte técnico, pressionando as vítimas a fornecerem dados, clicar em links falsos ou mesmo entregar cartões. A vergonha e o receio de denunciar continuam sendo barreiras frequentes à busca por ajuda, sobretudo entre os idosos. As recomendações às famílias e à população com 60 anos ou mais, tanto de Alpinópolis como de outras localidades, são práticas e diretas: não informar senhas ou códigos por telefone ou WhatsApp; não clicar em links enviados por desconhecidos; checar comunicados diretamente nos canais oficiais da instituição (número impresso no cartão, site ou agência); e, ao menor sinal de golpe, desligar e procurar a delegacia para registrar ocorrência. O recuo dos casos de 2025 frente a 2024 é um dado positivo, mas a elevação em relação a 2020 mostra que Alpinópolis precisa se empenhar mais, promovendo campanhas educativas, ações de prevenção e acompanhamento das vítimas para evitar que os golpes persistam ou se tornem mais frequentes.

Claudio Krauss

11 de Dezembro de 2025

Trabalhos de reparo da Cemig avançam, mas apagão ainda causa transtornos em Alpinópolis
Cotidiano

Trabalhos de reparo da Cemig avançam, mas apagão ainda causa transtornos em Alpinópolis

A cidade de Alpinópolis enfrenta, desde a tarde de segunda-feira (1º), um dos mais longos episódios de instabilidade energética de sua história. A tempestade que atingiu a região — com ventos intensos e descargas atmosféricas — derrubou torres da Linha de Distribuição Alpinópolis/Passos, interrompendo o fornecimento não apenas para o município, mas também para Carmo do Rio Claro, Conceição da Aparecida e São José da Barra. O apagão teve início por volta das 18h30 de segunda-feira. De acordo com a Cemig, duas torres metálicas sofreram colapso total e uma terceira foi danificada. A companhia afirma que as equipes iniciaram imediatamente os trabalhos de localização do defeito e reorganização da rede. Por volta das 21h, o fornecimento foi normalizado para Conceição da Aparecida, São José da Barra e para grande parte de Carmo do Rio Claro. Ao longo da madrugada, o restante de Carmo do Rio Claro também teve o abastecimento restabelecido. Em Alpinópolis, porém, a situação foi mais crítica. O município ficou praticamente no escuro por mais de 48 horas, com o fornecimento sendo garantido apenas por 11 geradores emergenciais distribuídos em pontos estratégicos. Segundo a Cemig, no momento, 100% dos clientes estão conectados por geração provisória, enquanto as equipes trabalham para concluir os reparos e recolocar as torres em operação ainda nesta quarta-feira (3). As equipes enfrentam, de acordo com a estatal, condições adversas para reconstruir as estruturas, instaladas em áreas de difícil acesso e que exigem uso de guindastes, reforços metálicos, transporte de peças pesadas e realização de testes de carga. A chuva constante também vem dificultando o avanço dos trabalhos. A Prefeitura Municipal decretou situação de emergência e, segundo informações postadas nas redes sociais, acompanha as frentes de trabalho, auxiliando no abastecimento e logística dos geradores e prestando apoio básico a comerciantes, produtores e serviços afetados. O setor de leite e parte do comércio local registraram perdas por falta de refrigeração e interrupção das atividades. Mesmo com a geração emergencial, moradores ainda relatam oscilações e quedas repentinas devido à limitação desse tipo de fornecimento. Com o prolongamento da situação, parte da população, principalmente por meio das redes sociais, passou a criticar a infraestrutura elétrica da região e a atuação do poder público, apontando fragilidades já conhecidas e alegando que a tempestade apenas expôs problemas acumulados. Também há relatos de prejuízos significativos para pequenos comerciantes e produtores, que dependem de energia contínua. Por outro lado, moradores reconhecem o esforço das equipes da Cemig e da prefeitura, que permanecem mobilizadas desde o início do incidente, em regime contínuo. Em nota, a Cemig informou que, no momento, todos os bairros urbanos de Alpinópolis estão energizados de forma emergencial, mas a normalização definitiva depende da recomposição total da linha. Também afirmou que dezenas de profissionais — entre técnicos e engenheiros — atuam ininterruptamente na substituição das torres e no restabelecimento completo do sistema, além de explicar que, durante o período chuvoso, o risco de queda de árvores, galhos e objetos sobre a rede aumenta significativamente, tornando o trabalho de recuperação mais complexo, especialmente em áreas rurais. A companhia destacou, por fim, que executa o maior programa de investimentos de sua história, com R$ 59 bilhões previstos entre 2019 e 2029, incluindo ações de manutenção, podas, limpeza de faixas, substituição de estruturas e inspeções com tecnologias como drones e câmeras termográficas, reafirmando seu compromisso com a melhoria contínua do sistema elétrico no estado.

Claudio Krauss

03 de Dezembro de 2025

Documentário resgata memória histórica de Alpinópolis com apoio da Política Nacional Aldir Blanc
Nossa História

Documentário resgata memória histórica de Alpinópolis com apoio da Política Nacional Aldir Blanc

O documentário “Memórias da Ventania” foi oficialmente apresentado em 6 de novembro, durante o 1º Encontro Literário Amigos da História, realizado na Câmara Municipal de Alpinópolis. A obra reúne imagens de arquivo, depoimentos de moradores e entrevistas que abordam diferentes aspectos da formação histórica do município. A produção do curta-metragem começou em julho, quando foram realizadas visitas a propriedades rurais e residências para coleta de relatos e registros. O roteiro baseou-se no livro “Caminhando pela História – Um Passeio pelas Ruas” . A produção técnica ficou a cargo de uma equipe audiovisual, com supervisão histórica de Juliano Pereira de Souza. O documentário aborda temas como religião, política, educação, cultura e economia, organizando-os como eixos centrais para contextualizar o desenvolvimento do município ao longo das décadas. Com 32 minutos de duração, o material reúne testemunhos e informações que contribuem para a preservação da memória coletiva local. A iniciativa foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) , política pública federal voltada ao fomento cultural em todo o país. O projeto prevê, além da exibição online, a distribuição do documentário às escolas do município, para uso em atividades pedagógicas. A produção também incorpora recursos de acessibilidade comunicacional, como legendas e intérprete de Libras, ampliando o alcance do conteúdo. O documentário está disponível gratuitamente no YouTube e pode ser acessado pelo link abaixo: https://youtu.be/GQ2EnUy8Izw

Claudio Krauss

28 de Novembro de 2025

Mulher é presa com cocaína, crack e maconha dentro de um taxi em Alpinópolis
Segurança

Mulher é presa com cocaína, crack e maconha dentro de um taxi em Alpinópolis

Uma mulher de 31 anos foi presa em flagrante na tarde de terça-feira (25), suspeita de tráfico de drogas, após uma operação de cerco e bloqueio realizada pela Polícia Militar na BR-265, em Alpinópolis. A ação ocorreu no km 532 da rodovia, após uma denúncia anônima informar que a suspeita estaria transportando entorpecentes em um táxi vindo da cidade de São Pedro da União. Segundo o registro policial, o denunciante — que preferiu não se identificar por temer represálias — relatou que a passageira havia adquirido drogas na área urbana de São Pedro da União e seguia para Alpinópolis com a intenção de revender o material. Com base nas informações, os militares montaram uma operação e abordaram o veículo indicado, conduzido por um taxista de 57 anos. Durante as buscas, os policiais localizaram, dentro da bolsa da passageira, diversas porções de drogas. Ao todo, foram apreendidos um papelote de cocaína, 11 pedras de crack, uma bucha de maconha, além de R$ 160 em dinheiro, dois celulares e uma bolsa de mão. A mulher permaneceu em silêncio quanto à origem das drogas, afirmando apenas que os objetos encontrados eram de sua propriedade. O taxista, por sua vez, declarou não saber que transportava material ilícito e informou ter iniciado a corrida em São Pedro da União. Ele foi liberado no local após a abordagem. A suspeita foi levada para a Santa Casa de Alpinópolis, onde passou por avaliação médica. Em seguida, foi apresentada à 22ª Delegacia de Polícia Civil, junto com todo o material apreendido, onde permaneceu à disposição da Justiça.

Claudio Krauss

27 de Novembro de 2025

Alpinópolis está entre as cidades que mais usam o Hospital Regional do Câncer de Passos em toda a região
Cotidiano

Alpinópolis está entre as cidades que mais usam o Hospital Regional do Câncer de Passos em toda a região

Alpinópolis firmou-se como um dos principais municípios usuários do Hospital Regional do Câncer (HRC) de Passos, acumulando 56.416 atendimentos entre 2010 e julho de 2025, segundo dados fornecidos pela própria instituição. No total de pacientes tratados e acompanhados, a cidade aparece com 795 registros, ocupando o 4º lugar entre as 128 cidades atendidas — posição que chama atenção pelo porte populacional do município, ficando atrás apenas de Passos, São Sebastião do Paraíso e Piumhi. O volume e a constância dos atendimentos mostram uma comunidade que, ano após ano, mantém presença ativa e significativa no hospital. Os dados disponibilizados pela instituição mostram quais são os tipos de câncer mais frequentes entre os moradores de Alpinópolis. O destaque absoluto é o câncer de pele, responsável por 371 casos, ou 47% de todos os diagnósticos registrados. Depois aparece o câncer de próstata, com 125 casos (16%), seguido pelos tumores de mama, com 66 registros (8%), e de colo retal, com 56 registros (7%). Outros tipos, como os de colo do útero, cabeça e pescoço, bexiga, tireoide e linfomas, surgem em menor proporção, mas compõem o mosaico de casos acompanhados pelo HRC junto à população de Alpinópolis ao longo de sua história. O padrão etário dos pacientes reforça o peso da doença nas faixas mais avançadas, sendo que cerca de 70% dos usuários têm entre 50 e 79 anos, período em que os diagnósticos se acumulam e o fluxo entre Alpinópolis e Passos se intensifica. A distribuição por gênero é equilibrada, com 49% dos atendidos sendo do sexo feminino e 51% do sexo masculino. Além disso, 29% dos pacientes são fumantes ou ex-fumantes, reforçando a importância do controle do tabagismo na cidade, já que o problema configura um fator de risco para a doença. Esse conjunto de números revela que, embora pequena, Alpinópolis ocupa posição central no cenário oncológico regional. A elevada procura pelo HRC, somada ao perfil detalhado dos tipos de câncer mais incidentes, ajuda a compreender como a doença se manifesta entre os habitantes do município. Para a comunidade de Alpinópolis, o HRC se consolidou como uma peça fundamental em sua rotina de saúde. É onde que se confirmam diagnósticos, se iniciam tratamentos e se garantem acompanhamentos contínuos. No entanto, é importante ressaltar que a cooperação é recíproca, já que, desde sua construção, a população alpinopolense tem sido um pilar de apoio para a instituição, mantendo até os dias de hoje uma tradição de solidariedade por meio de promoção de campanhas, eventos e doações pessoais.

Claudio Krauss

26 de Novembro de 2025

Período escravagista no arraial de São Sebastião da Ventania
Nossa História

Período escravagista no arraial de São Sebastião da Ventania

O território onde atualmente fica a sede do município de Alpinópolis está ocupado desde 1779, portanto, há cerca de 246 anos. Como a abolição da escravatura no Brasil aconteceu em 1888 é natural que os fazendeiros do arraial de São Sebastião da Ventania também fossem proprietários de escravos. E por aqui havia muita gente escravizada. Em 1840, por exemplo, a população local era composta por 1.973 habitantes, dos quais 1.475 eram livres e 498 cativos. Ou seja, mais de 1/4 dos moradores da freguesia eram escravos. Em seu livro “Quilombo do Campo Grande – A História de Minas que se Devolve ao Povo” , o autor Tarcísio José Martins, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, dá conta de que o hoje território do município de Alpinópolis abrigou, no século XVIII, em um período anterior à formação do arraial, o Quilombo das Pedras, parte integrante do Quilombo do Campo Grande. Por essas bandas passou um dos mais temidos capitães-do-mato que se tem notícia, o bandeirante Bartolomeu Bueno do Prado, que se vangloriava de ter arrancado, em suas caçadas e queimadas de quilombos, mais de 3.900 pares de orelhas de negros fugidos. Este sanguinário lutou vários anos contra os quilombos estabelecidos na região e acabou destruindo todos, entre eles o da Ventania. Em suas pesquisas o historiador alpinopolense José Iglair Lopes conseguiu encontrar um artefato, no mínimo, curioso. Trata-se de um cartaz, do ano de 1886, anunciando a fuga de um escravo de uma das fazendas da freguesia, cujo dono era José Rodrigues de Oliveira. Os procedimentos da escravatura não se diferenciavam nem mesmo nas localidades pacatas como era a da Ventania. O escravo era ‘coisa’, um pertence dos senhores proprietários, e como tal eram tratados. O documento está datado de 12 de novembro de 1886 e a escravatura só foi oficialmente abolida no Brasil pela Lei 3.353, de 13 de maio de 1888, assinada pela princesa Isabel, conhecida como Lei Áurea. Ou seja, aproximadamente um ano e meio depois da fuga de Romualdo. Referência Bibliográfica: LOPES, José Iglair. História de Alpinópolis: nos séculos XVIII, XIX e XX, até 1983/José Iglair Lopes; colaborador: Dimas Ferreira Lopes. – Belo Horizonte: O Lutador, 2002

Claudio Krauss

20 de Novembro de 2025

Morador viaja sozinho até Belém e é o único participante de Alpinópolis na COP 30
Variedades

Morador viaja sozinho até Belém e é o único participante de Alpinópolis na COP 30

A COP 30, realizada em Belém do Pará, reúne milhares de participantes de todo o mundo em debates sobre sustentabilidade, preservação ambiental e economia da floresta. Entre os presentes esteve um representante que vive em Alpinópolis: Tarcísio Carvalho de Oliveira, 58 anos, conhecido como Tiso do Prancha. Ao contrário de muitos delegados que compareceram como integrantes de comitivas oficiais, o alpinopolense participou por iniciativa própria com recursos pessoais, investindo cerca de R$ 2 mil em deslocamento por ônibus. A jornada consumiu três dias, percorrendo Passos (MG), Ribeirão Preto (SP), Goiânia (GO), Imperatriz (MA), até Belém. Em sua permanência, se hospedou em uma escola reformada pelo governo paraense e adaptada para funcionar como hostel , onde pagou cerca de R$ 200 de diária. Segundo informou, sua ida à COP 30 teve caráter duplo: participar dos debates ambientais e explorar produtos amazônicos com potencial de comercialização e exportação. Tiso relatou que não recebeu convite oficial para participar, mas optou por comparecer pela livre vontade e pela disposição em viver a experiência oferecida por esse evento único. Conforme observou o alpinopolense, a conferência mostrou-se acessível a todos, permitindo que cidadãos comuns circulassem por palestras, congressos e painéis sobre preservação ambiental, reciclagem, manejo de resíduos e economia da floresta, sem necessidade de agendamento prévio. Ele comentou, ainda, que há uma infinidade de congressos simultâneos em diversas áreas temáticas, o que facilita a movimentação por múltiplas programações ao longo do dia. Tarcísio contou que vem avaliando produtos como café feito do caroço de açaí, chocolate produzido na Ilha do Combo e açaí liofilizado, com foco em potencial de revenda e exportação. Segundo ele, alguns expositores europeus com que manteve contato manifestaram interesse em futuras negociações. “Essa rede de relacionamentos representa um ativo importante para possíveis parcerias comerciais a serem exploradas”, comentou. A presença de uma conhecida sua, residente em Paris, que operava três estandes no evento, ofereceu perspectivas comerciais adicionais e serviu, em sua visão, como validação de que o mercado europeu está aberto a produtos amazônicos. Ao circular pelo evento, Tiso teve oportunidade de observar delegações de dezenas de países. Conforme mencionou, a China enviou aproximadamente 300 representantes, número que chamou sua atenção pelo volume. Ele também presenciou pessoalmente no local autoridades brasileiras como os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Celso Sabino (Turismo) e Simone Tebet (Planejamento), além da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, todos em atividades relacionadas à COP 30. Quanto à alimentação, Tarcísio revelou que gastou, em média, R$ 100 por dia em estabelecimentos mais acessíveis nos arredores do evento, já que os preços variam consideravelmente dentro e fora do perímetro da conferência. Durante sua estadia, o alpinopolense disse que foi possível perceber transformações urbanas em Belém: restaurantes operavam em capacidade máxima, serviços de transporte como Uber funcionavam sobrecarregados deslocando milhares de pessoas diariamente, e navios especializados atracaram no porto para fornecer suporte logístico com hospedagens flutuantes. Tiso lembrou que o município recebeu convite formal para comparecer à COP 30. No entanto, a administração optou por não participar, mencionando preocupações com custos envolvidos na viagem. Oliveira opinou que essa ausência, em sua visão, representava uma perda de valiosas oportunidades de aprendizado e participação em debates relevantes sobre sustentabilidade. Avaliou, ainda, que a presença em conferências internacionais oferece experiências que ampliam a compreensão sobre economia, reciclagem e práticas de preservação ambiental, que podem, posteriormente, ser aplicadas em ações municipais. Por fim, o alpinopolense relatou que essa experiência na COP 30 lhe permitiu, além do envolvimento direto com diversas temáticas relacionadas ao meio ambiente, também um importante contato com expositores e possíveis parceiros comerciais, especialmente aqueles ligados a produtos amazônicos, que podem representar oportunidades econômicas para brasileiros de qualquer região do país.

Claudio Krauss

17 de Novembro de 2025

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